VALOR NO CURRÍCULO
Diploma ou experiência? No mercado, formação formal ainda conta, mas habilidades práticas e experiência ganham protagonismo na carreira.
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Certificado com fita em cima do notebook; debate sobre diploma ou experiência cresce nas empresas
Publicado em 28/8/2025 - 6h00
Com a competitividade cada vez maior no mercado de trabalho, empresas buscam profissionais que conciliem conhecimento teórico e vivência prática, o que reacende um debate sobre o que pesa mais no currículo: diploma ou experiência.
"O importante é não cair no erro de opor diploma e prática como se fossem opostos inconciliáveis. O conhecimento estruturado que vem da educação formal continua sendo fundamental para desenvolver raciocínio crítico, pensamento sistêmico e capacidade analítica, habilidades essenciais para lidar com a complexidade dos problemas atuais", explica Alessandra Lotufo, sócia e Managing Director da Afferolab, ao Economia Real.
No Brasil, os diplomas formais ainda têm forte valorização, sobretudo em áreas reguladas ou tradicionais. Ao mesmo tempo, a experiência prática e as habilidades demonstráveis ganham protagonismo, especialmente em cargos técnicos e funções emergentes ligadas à tecnologia, inovação e atendimento ao cliente, o que reflete a transformação das exigências profissionais.
Uma pesquisa da Afferolab mostra que o número de vínculos com mestres e doutores em setores de alta intensidade tecnológica cresceu entre 64% e 142%, conforme a função. Por outro lado, o tempo de resposta da universidade não acompanha mais o ritmo do mundo.
Microcertificações permitem atualizar competências de forma ágil e contínua, algo essencial diante da rápida obsolescência das habilidades. Ainda assim, o sistema educacional formal permanece rígido, pouco conectado ao mercado e com barreiras de entrada altas, criando distância entre formação acadêmica e empregabilidade.
"Em um mundo que exige reinvenção constante, o profissional mais valorizado será aquele que une pensamento estruturado, repertório prático e capacidade de continuar aprendendo com ou sem diploma. E as empresas que souberem identificar isso terão uma enorme vantagem competitiva", complementa a especialista.
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Alessandra Lotufo, sócia e Managing Director da Afferolab
Nos últimos anos, muitas empresas reduziram a exigência de diplomas e passaram a usar testes práticos, dinâmicas e projetos para avaliar habilidades. O foco deixou de ser apenas o diploma e passou a valorizar adaptabilidade, inteligência relacional e a capacidade de gerar valor na prática.
"Essa transformação ganhou força com a aceleração digital, a fragmentação das trilhas de aprendizagem e a entrada de novas gerações no mercado. Profissionais com formações não lineares, mas com experiências potentes e certificações modulares, passaram a disputar espaço com perfis mais tradicionais e muitas vezes levaram vantagem", detalha Alessandra.
Ferramentas como cases práticos, testes situacionais e entrevistas por competências ajudam a demonstrar o potencial real do candidato. Habilidades como resolução de problemas complexos, pensamento estratégico, comunicação clara, inteligência emocional, adaptabilidade e colaboração são cada vez mais valorizadas e ajudam a identificar talentos com grande potencial — mesmo sem diploma formal.
O que realmente tem ganhado destaque é a capacidade de transformar conhecimento em impacto prático com consistência e clareza de propósito. Profissionais que conectam saberes e entregam resultados em cenários incertos estão no centro das decisões de contratação e promoção", reforça.
Para quem ainda não possui diploma, mas deseja conquistar espaço no mercado, a executiva aconselha: "Invista em aprendizado contínuo e encontre maneiras eficazes de evidenciar suas competências. Mesmo sem um diploma formal, é possível construir uma trajetória consistente. A formação acadêmica pode (e deve) vir, se fizer sentido para seus objetivos. Mas a construção da sua reputação profissional começa antes, com competências que geram impacto positivo e mensurável por onde você passa".