JOSÉ LOSCHI
REPRODUÇÃO/CANVA E DIVULGAÇÃO/SRX
José Loschi, fundador da SRX Holdings; ex-bancário venceu o câncer e investe no agronegócio
Publicado em 31/8/2025 - 10h01
Aos 13 anos, José Loschi enfrentou uma leucemia que mudaria para sempre sua visão sobre tempo e oportunidades. Filho de motorista e dona de casa, ele começou a trabalhar bem cedo, se tornou o superintendente mais jovem da história do Banco Mercantil e, aos 26 anos, decidiu levar essa expertise no mercado financeiro para o agronegócio com a SRX Holdings. Em menos de cinco anos, a companhia já conta com cinco empresas no portfólio e quer faturar R$ 120 milhões até o final de 2025.
"Cresci vendo meu pai trabalhar como motorista, conheci o campo desde cedo trabalhando em loja agrícola, e depois aprendi sobre finanças estruturadas no mercado bancário. Identifiquei que empresas tradicionais do agronegócio brasileiro tinham fundamentos sólidos mas gestão limitada. Eram negócios de 30, 40 anos, com excelentes produtos e relacionamentos, mas sem acesso a capital inteligente ou metodologias modernas de gestão", explica Loschi em entrevista ao Economia Real.
Foi desse diagnóstico que nasceu a SRX Holdings. O agronegócio representa cerca de 24% do PIB brasileiro, mas boa parte das empresas regionais ainda opera como décadas atrás, sem transformação digital ou acesso ao mercado de capitais.
Com a bagagem de quem conhecia o campo e dominava as finanças, Loschi estruturou a holding em 2021. No primeiro ano completo, a companhia faturou R$ 2,1 milhões apenas com consultoria de fusões e aquisições no agro, mas logo evoluiu para aquisições diretas. A mais emblemática foi a compra da Master Nutrição Animal, empresa de 36 anos que estava estagnada, mas tinha imenso potencial.
Em 18 meses, crescemos 129% em clientes ativos e levamos a operação para dois países. Isso provou que nossa tese estava correta: empresas tradicionais podem se tornar máquinas de crescimento com a gestão certa", afirma.
Ao assumir empresas familiares, Loschi encontrou resistência natural à mudança. "Mantivemos o que funcionava e modernizamos o que limitava. Em seis meses, a mesma equipe que resistia estava liderando as mudanças porque viu os resultados chegando", conta.
Entre os aprendizados, ele destaca: velocidade com direção, pessoas acima de processos e resiliência diária — um valor que carrega desde os tempos de luta contra o câncer.
Até 2027, a meta da companhia é faturar R$ 500 milhões, consolidar dez empresas operacionais e expandir para cinco países. "Nossa visão é clara: ser o maior ecossistema de transformação de empresas tradicionais do agronegócio brasileiro", projeta Loschi.
A SRX estrutura sua estratégia em três pilares:
Apesar da trajetória marcada por cifras, Loschi ressalta que o legado é maior: "Quero provar que origem não define destino. Cada empresa que transformamos gera empregos, desenvolve regiões, alimenta famílias. Quando a Master Nutrição cresce, não é só sobre números, é Brasil competindo melhor".
Aos 30 anos, já movimentou mais de R$ 100 milhões, mas assegura que o que o move é abrir portas. "Talvez, só talvez, minha história inspire alguém a não desistir", finaliza.
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