BASTIDORES
ECONOMIA REAL
Máscaras e itens da decoração da festa de 10 anos do site Meu Patrocínio, realizada na quinta (28)
Publicado em 31/8/2025 - 10h00
Quis o destino que, no mesmo dia da operação que parou a Faria Lima, um seleto grupo de sugar daddies se reunisse a poucos metros do coração do mercado financeiro para desfrutar de um verdadeiro "harém" de sugar babies. O Economia Real teve acesso à festa exclusiva da plataforma Meu Patrocínio— um evento marcado pelo luxo, pelo mistério e por um tipo peculiar de sedução, com ingressos que chegavam a R$ 10 mil para os homens.
A primeira surpresa, confesso, foram os próprios daddies. O estereótipo do homem rico e grisalho da terceira idade era exceção. A maioria, como a reportagem já havia adiantado em maio, estava na faixa dos 35 a 45 anos. Homens "comuns", como os que se encontram pelas ruas de São Paulo.
Nada de milionários sarados, tampouco "velhos acabados". Cerca de meia dúzia tinham porte físico semelhante ao do streamer Casimiro Miguel, da CazéTV, enquanto o restante lembrava executivos de escritório. Todos usavam roupas sociais, como exigia o convite, e máscaras que reforçavam o clima de anonimato. Alguns circulavam com confiança; outros pareciam adolescentes nervosos em um primeiro encontro.
Uma cena me chamou a atenção: um homem permaneceu sentado em um sofá, balançando os joelhos durante quase dez minutos enquanto tentava conversar com uma das jovens. Já outro, por volta dos 50 anos, escolheu uma máscara que cobria o rosto inteiro, lembrando os personagens da série La Casa de Papel. Após lutar para beber os drinks sem derrubar nada, desistiu do disfarce e tentou investir em uma sugar baby de vestido vermelho.
O flerte virou espetáculo: ele buscava tocar sua cintura, ela recuava. Em contrapartida, sempre que ela abaixava os ombros, a alça do seu vestido caía discretamente, e era logo reposicionada pela jovem. O jogo de sedução se arrastou por 40 minutos, sem êxito. Ele deixou a pista; ela ficou para aproveitar a festa.
Escrevo este relato ciente de que piso em ovos. Mas também é fato: todos ali eram adultos, conscientes de que o objetivo daquela noite não era exatamente "networking profissional". Ainda assim, a impressão é de que o sexo não estava no centro do enredo.
Os daddies pareciam mais empenhados em flertar do que em conversar entre si, mas consegui puxar papo com dois deles. Ao perguntar diretamente se esperavam um "fim de noite feliz" (leia-se: sexo), ambos responderam com convicção: não.
Para eles, o que importava era companhia. Um deles contou que usa o aplicativo há dez anos e já se envolveu com quatro sugar babies nesse período. Todas as relações terminaram do mesmo jeito: viraram amizade. Sexo, ele assegurou, não era prioridade — a ponto de, meses atrás, ter recorrido pela primeira vez a uma prostituta e considerar a experiência "terrível".
O segundo com quem conversei era americano e lembrava, em parte, o estereótipo do "velho da lancha". Já morava há alguns anos no Brasil, mas buscava uma sugar baby para ter "companhia e bons momentos".
Ambos frisaram que o universo sugar não se resume a "dinheiro fácil" nem a uma prostituição disfarçada. Segundo eles, já dispensaram mulheres que só buscavam recursos. O que valorizavam era encontrar mulheres com potencial para crescer nos próximos meses: resilientes, proativas e adaptáveis (sim, o vocabulário soava quase como uma entrevista de emprego).
Entre taças discretas, máscaras incômodas e discursos corporativos, a noite mostrou que o universo sugar está longe do glamour cinematográfico. Trata-se de um ritual curioso de afeto remunerado, em que até o flerte parece seguir regras não escritas.
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